sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Arrufos

O que para Beatriz era um pão de deus, para mim era uma arrufada. "E 'Deus' escreve-se com maiúscula", acrescentava ela. Claro que eu não me resignava: "Mas será que não entendes que isto não passa de uma arrufada?" E ela ofendida: "Ignorante! Se gostasses de coco não dizias isso!" E eu exaltado: "Onde é que tu vês coco aqui?" E ela: "Os tolos nada percebem de bolos!" E prosseguíamos horas a fio, até ao dia em que a coisa ficou mesmo feia. Se me arrependo? Um nadinha: só sei que após aquele serão nunca mais houve brioches lá em casa.

3 comentários:

sónia disse...

Coco é coco e açúcar é açúcar, por isso a Beatriz tinha razão. Brioches há muitos e não provocam divagações tão filosóficas.

StormInTheMorningLight disse...

No outro dia, disse-me a Fátima,- a minha colega de trabalho por quem nutro grande admiração.Mulher (dela e do marido), mãe (das filhas, do marido e do pai), feliz (ela), - "Todas as noites faço brioches para o meu marido comer de manhã!"

iolanda disse...

ah! mas isso é que era escusado ! deixar que uma discussão sobre pães de Deus e arrufadas acabe com os brioches lá em casa? uma tolice! um exagero de graves consequências! Mesmo eu, conhecedora como sou de pães de Deus e arrufadas, caramba, sei reconhecer que um brioche é sempre um brioche!

Moleiro

Tinha aveia para o negócio.