sábado, 21 de novembro de 2009

Anelídeos

Escavava e escavava. E ainda escavava mais (tudo o que podia). Consumia-se na construção de túneis e galerias mirabolantes. Quanto mais subterrâneos, e compridos, melhor. E depois içava-se arrastadamente até à superfície, assim como quem não quer a coisa. E enrolava-se, e desenrolava-se, e imobilizava-se, e estrebuchava. Às vezes também se divertia a desenhar coreografias circulares. Ou estranhos ésses. Contudo, o que lhe dava mesmo prazer, prazer-prazer, era escavar. Escavar, escavar, escavar. E tudo recomeçava. Passava os dias nestas minhoquices.

3 comentários:

ioba disse...

:) :) :):) :) :) :) :) :)

Rocío disse...

No sé si es mi mente "calenturienta" pero veo algo de muy sensual en las contorsiones de esa minhoca :-)

Ternura microscópica ;-)

_ricards_ disse...

Eu escavo
Tu escavas
Ele escava
Nós escavamos
Vós escavais
Eles escavam
Não é bonito, mas é profundo.

Vida de arqueólogo...

Moleiro

Tinha aveia para o negócio.