domingo, 31 de janeiro de 2010

Torcato Sepúlveda


Obrigado, Pedro. Há momentos nas nossas vidas que só podem ser fotográficos. Ganhei a noite com a tua gentil lembrança. Foi bom.

Posso? Poço

Nunca aqui se relatou desfecho tão irónico. Paradoxal. Khaled, o tal que se dizia ser um poço de virtudes (sem fundo), acabaria empurrado para dentro de si mesmo. E acreditem que muito lamentamos mais este óbito.

Blablablasfémia

Ron descobriu há dias que Jesus era afinal punk. E dá-nos ideia de que está mesmo convicto. Má sorte a nossa: passa os dias a delirar com a crista de Cristo.

Inverdade

Brechje cismava naquilo e, talvez por isso, nunca lhe tenha dado o devido crédito: quem se diz eterna, mente.

Novo provérbio cá da terra

Agora diz-se em Vimiães que progenitor desnaturado é pai chão.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Mitteleuropa

Esta tarde Viena. Gostei mesmo. Sobretudo porque não a via há muito.

Fa(c)to consumado

Longe de estar planeado. Na verdade, ela até se preparava para o trocar por James, o professor de aeróbica. Ainda hoje explica que só aceitou casar porque descobriu que Peter engravidara. De esperança, naturalmente.

Cefalópodes, podes

Eu nem queria acreditar. Mas Magali não se desmanchou. Impassível e com aquela lata de sempre, oficializou uma oitava acima: "Sabe, Thiago, mais do que chocos com tinta, gosto é de chocos com pinta..." Chocante? Bom, confesso que senti uma pontinha de ciúme...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ínfimas nuances

Agarrando-me no braço, Mary ainda berrou: "Nigel, cuidado com a tampa!" Tarde demais, e isto sem equacionar o engano: era trampa mesmo.

Carreiras e carreirinhas

Piret até poderia ter sido uma grande poetisa (ou ensaísta). Mas semputador tudo se tornou mais difícil. Complicado.

Sobre o ladrar e o morder

Cão covarde é de todos o mais perigoso. Fartou-se de ladrar e depois, como quem não queria a coisa, ainda me abocanhou a mão. Agora foge com ela.

AA (Acrobata Anónimo)

Foi tudo tão rápido que nem sequer reparámos. "Quembalhota?", ainda perguntámos em uníssono. Certo é que, ainda hoje, está por identificar o autor da acrobacia.

Vultur gryphus

Se todas as aves têm de penar, algumas penam mais do que deviam. Aqui na aldeia temos muita pena daquele condor. A sério, andamos mesmo condoídos.

Manhãs que cantarão




A insónia passou assim que desisti de adormecer. O Astro-Rei manda; marca a voga. Até na escuridão invernal de Tallinn. Isto da hibernação ainda não é uma ciência exa(c)ta.

Trabalho infantil

Sempre que Khaled não vinha — e a verdade é que não vinha muitas vezes —, Fatimah chamava o pequeno Ali. Exacto, Ali mesmo.

Cotos de fadas

Pobre Cindy, que nem sequer mãozinhas tinha para segurar na varinha. Coitadita.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Pedagogia infantil

"Eles que berrem o que quiserem", comunicou-me Cynthia denotando estranha perfídia. Perturbado, só me restou dizer-lhe que não lhe gabava a crueldade: "Mas... mas são crianças, Cynthia..." Ela ainda oficializaria, indiferente: "Regras são regras, meu caro Thomas: neste infantário, a compota de morango é só para os meninos bem compotados."

Aproximações perigosas

Esteves era um guarda feio e eléctrico. É por isso que ficaria muito triste se o confundissem aqui com o simpático Estêvão, o guarda-freio do eléctrico.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Sede de viver

Agora que começava a criar raízes, sumiram. Há uns bons dez dias que aqueles palhações não põem os pés em casa. Sinto-me mesmo murchinha.

Já cheirava mal

E assim que atirou a toalha ao chão, Joonas aprestou-se a pendurar as botas. Mas não era tudo. Já descalço, percebeu que ainda lhe faltava enfiar a viola no saco.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sem Francisco



A cidade é muito bonita, bastante mais bonita do que alguma vez supusera. Adorei as colinas, os eléctricos por todo o lado e, sobretudo, aquela ponte enorme (só me fez lembrar Lisboa). É verdade que aqui me sinto quase em casa, Matthew até tem sido um bom amante. Mas... Sem Francisco nunca mais nada me pareceu o mesmo.

E é uma língua latina!

Kantar no caraoque é de uma beleza espektacular. Tentemos.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O decurso do método

Pascal vangloriava-se de começar todos os dias com o pé direito. Era-lhe mais prático. Só depois inspeccionava as áreas úteis (e as inúteis também).

Uma baixa

O duende não pode vir amanhã. Mas pelo menos teve a gentileza de ligar ao gnomo: explicou-lhe que estava duende. Muito duendinho mesmo.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Yolanda

Muito se enervava quando brincávamos com ela. Mas "Países Baixos", ou "Finalista", era muitíssimo pior. Redutor.

White snow orgy

João Lopes Marques* (Eesti keeles)

There is nothing more delicious than His superlative irony. Having read a couple of agricultural articles on vineyards in Scandinavia and the Baltic region, God surprised me (us) with a altruistic orgy of extremely white snow.

More: who could guess some weeks ago I would be walking in the middle of the streets fearing being hit by one of those menacing spikes that grows bigger and bigger in the roofs of Tallinn?

Well, since last Winter I have realized this crystalline water ice can break legs. That I already knew. What I never expected was that this gigantic natural spears pointed at me in every corner. Last night I even dreamt about one of them that is growing in a building by my flat — it fell unexpectedly perforating my gentle torso.

For sure I also don't fancy all this army of tractors and caterpillars that just remind me Godzilla. But let's be positive (at least this time): these are quite bearable side effects of one of His most wonderful creations. If the reader has doubts, if such purifying whiteness that falls from the clouds is not enough, please try to see a snowflake in a optical microscope.

Oh my God, it's unbelievably perfect!

As if life gains renewed meaning — just look at the faces of people when the first serious snow starts falling from the skies. "The thing I like best in Estonia are our four seasons!", whispered me Triin, perhaps one of the biggest fans of snow I have ever met in my not-so-short existence.

She is right. I myself like better Vivaldi and its symphony after moving into Estonia. We understand better its tempos: the adagios, adagiettos, allegros and allegrettos... and then the adagios again... Beautiful.

And that said, and knowing that I had a snowy text to write, happy Triin texted loads of hints by SMS: "João, please don't forget to mention the happy kids riding sleighs, all grandmothers knitting gloves, the beauty of the snow reflection, the boys playing and the snowmen, the workers whose salary depends on snowing, the joy of going crosscountry in a pair of skis, the clothes people can finally dress..."

Minutes later she even added in an second SMS: "Ah, and Kristina Smigun can now prepare herself much better for the Winter Olympics in Vancouver..."

Uff, she was comprehensive (snow is gold). Yes, Triin is so happy these days that I even hide from her all these news on stranded people in highways and airports, not to mention alpine avalanches. Once again, these are side effects He created to warn us that everything has a positive and negative side.

Actually, both my rubber boots and I feel relieved by these crystalline Nordic days. And I feel baffled by Him as well: He not only sent us these torrential flakes, He wanted me to be in Estonia to see it.

A weather record is always a weather record (and vice-versa).

OK, now I know I will have to wait a bit longer for good grapes and cheaper wine in Estonia. Yet this amazing sense of normality eases my angst — it is good to acknowledge the world and our animal lives are not changing too fast.

You can't imagine my joy not having to recall my imaginary children: "You know what? Papa is still from the time there was snow in Tallinn..."

*João Lopes Marques on romaani "Mees, kes tahtis olla Lindbergh" autor

Condicionalismos

Nada de aquecedores, lareiras ou ventoinhas. De radiadores, então, ni hablar. Sempre que os vê, Kristjan põe aquele ar condicionado.

À mesa

Sempre que Massimo vem jantar cá a casa rimo-nos a bandeiras despregadas. Ele é um prato. Já Livia, a sua estrepitosa mulher napolitana, é um perfeito talher.

Preia-mar

Indiferente à preia-mar, Tomaso avançou intrépido. Já planeava as primeiras braçadas quando se sentiu a perder o pé. Temos muita pena dele. E o que é um facto é que nunca ninguém conseguiu explicar o sucedido.

Panóptico

Eu virei, vigor, vital, viçoso... Mas eu também vicioso, videira, vigente, vilar, vidraça, viperino... Enfim, nesta vida já vi quase tudo.

Viagem ao centro da terra

Fizemos a rua das lojas até ao fim e virámos à direita. Na sua habitual verve, Júlio ainda gabou o primeiro semáforo de Vimiães. Só depois se centrou naquele coreto verdinho e muito bem conservado. Apontando firme, exclamaria finalmente: “É ali!”

Lei da gravidade

Jamais subestimemos o que até pode ser sério.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

E agora... "Polibek"



Há músicas, artistas e interpretações que nos fazem sentir pequeninos. Este "Polibek" é disso bom exemplo. Uma coreografia inatacável.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Zunzuns

A malta ainda nem acredita: a Arménia e o Israel irão mesmo dar o nó?

Das duas uva

Era uma vez uma uva que não queria ser passa. Contudo, e para seu imenso desgosto, ninguém lhe pôde valer: o tempo passa (passa mesmo).

Young folks behave like this



Pity I am growing older...

Esticanço

Se Marylin o provocou, não sei. Não sei mesmo. Só me recordo de ouvir Kurt gritando-lhe dentro do seu Mini: "Saia!"

Meia sangria

A Joana é tão teimosa que nunca me quis ouvir (escutar). Pois agora reparem como lhe jorra o sangue do joelho: um dia havia de partir as meias de vidro.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Let's practice



Not really a bad example.

Mil-e-todas-as-outras-noites

Era um génio e, por acaso, até razoavelmente iluminado. Agora, viver dentro de uma lâmpada, e porquê uma lâmpada?, é que não. Desculpem, mas é que não mesmo. Não, não e não.

WC



Foram 21 anos, quase 22, a limpar casas de banho. Ou banheiros, que é a mesma coisa. Mais curioso, perturbador até, é que nunca em momento algum Alzira se reviu no seu papel higiénico.

O cara e o livro

Nada como centralizar as coisas no Facebook. Escrita é escrita, amizade é amizade. Doravante é o um em dois.

Obrigados,

JLM

Gostosa euforia

Lá em casa já andavam todos apreensivos. A verdade é que os meses (anos) passavam e nada. Daí a desbragada emoção de Thaís ao tomar conhecimento da nova paixão de sua irmã Mônica: "Oba, ama!"

Intemporais

Assim terminaram o bife (bem passado, mais do que perfeito), Vasco puxou do presente. Incondicional, colocou-o no indicativo e ela não desgostou: parece que tinham mesmo futuro.

Antes do adeus

Marion sentiu que algo de muito errado — e irreversível — estava prestes a acontecer. A pobrezinha não se equivocou.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Circo Vicioso 2



Nada demais, apenas para vos dizer que temos mais uma capa.

Pendente pedante

Contorço-me. Rebolo-me. Esfrego-me diariamente na sua orelha esquerda, essa mesma que trespasso. Estando bem disposto, até sou capaz de lhe sussurrar algumas alarvidades (Kätlin sabe muito bem quais). Mas é uma senhora: finge nem escutar, tolera-me olimpicamente. Acessório, eu? Essencialmente, brinco. Brincamos.

O andar de Jenniffer

Despertou ao primeiro raio de sol e — que raio! — reparou no andar diferente. Titubeante, em claríssimo esforço, quase rastejando, Jenniffer ainda conseguiu assomar-se do varandim. Foi então que, e dando mais um doloroso passo, espreitou lá para baixo. Tudo se confirmava: não, aquele não era definitivamente o seu andar.

Dar para o torto

Que era um pequeno rectângulo à beira-oceano plantado, poucos duvidavam. A questão agora era bem diversa: saber se ainda o era na vertical.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

I can see clear now...



OK, this is the mood now. Not bad, hmm?

Tarzen

O exuberante cenário envolvente desajudava, mas a espiritualidade joga (e jogará sempre) o seu papel na vida de um homem. Solitário ou não, selvagem ou nem por isso. Chita já não o excitava, muito menos os trabalhados bíceps, o torso imaculado, o ululante grito guerreiro... Sim, isso era milho para pardalitas atarantadas: Tarzan, o verdadeiro Tarzan que aprendemos a respeitar, mudou de continente. A pirotecnia é definitivamente passado: agora chamam-lhe Tarzen (parece até que passa os dias a beber chá).

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Inverno em Poznan

Magda era gorducha. Mas isso é agora totalmente irrelevante: para Tadeusz não passava de uma vulva de escape. Não são nada fáceis os Invernos em Poznan.

Outros tempos



Agora que está a papas e suminhos, coitada, e olhando para a foto a cores com Ricardo, Beatriz lá exclamou (baixinho, mas eu ouvi-a muito bem): "Dentes é que era bom..."

Hasta la vista, Lopes?



Hmm... No, I am not leaving... Sorry. And if this city doesn't have space enough for the two of us, then you should move. Lopes stays!

Feliciudad



Porque 2010 será un año muy iberiano, no es Rocío? Mucha felicidad para todas las ciudades del mundo... O, de otra manera, feliciudad...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

sábado, 2 de janeiro de 2010

Bromidrose

Pois preferia sentir o suor escorrendo na palmilha. A transpiração vertida em odor. Regina recusava-se a usar peúgas. As meias deveriam ser inteiras.

Xadrezismo

Gabava-se de possuir a mente adestrada dos xadrezistas. E disso poucos duvidavam. Pena que Javier tenha começado a ver o mundo a preto e branco. E depois, claro, aos quadrados (quadradinhos). Já faltou mais, porém: deixará a Penitenciaria de Topas em 2012. Bem a tempo de celebrar o fim do mundo con Belén.

Haiku de merda

Levava uma Fuji, Mas do monte fugi, Sim, do Monte Fuji.