quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Desencaixe perfeito

Dizia-me Samantha que odeia pessoas que não a entendam. Mas nós que a entendemos, que a entendemos mesmo, odiamo-la.

Eu sei lá

É melhor um bom não do que um mau sim. Mas melhor, o melhor mesmo, mesmo-mesmo, mesmo-mesmo-mesmo, é um fantástico talvez. Ou talvez não.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Operação plástica

Os anos passavam a galope. Impiedosos. Daí que nem censure a decisão de Nigel e Melinda. Plastificaram-se um ao outro. Com algum êxito, reconheça-se: há umas boas décadas que não se lhes nota uma única ruga nova.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Contração ortográfica

Amante fumador? Então é fumante.

Sofá-mundi

De quando em vez, regressava-lhe aquela terrível fúria de viajar. Magnus obstinava-se. Felizmente que era passageiro.

Macropoesia

Sim, há poemas que são universos.

Quando nos morre um pasteleiro

Só se surpreendeu quem não o conhecia de perto: claro que Jean-Michel sempre sonhara em ser cremado.

Falhanço

Nem ateu nem agnóstico: Mathias sofria mesmo de disfunção herética.

Amplitude

Sempre que a penetrava, sentia espaço, muito espaço. E não era o único a sentir-me bem lá dentro. Svetlana era uma miúda arejada mesmo: tinha um enorme pé direito.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Uma aposta de caca

Mihaela decidiu comprar uma vaca. Anghel optou por uma saca. Teimosa como sempre, Emiliana preferiu levar a laca. Ylenia foi de maca. Gheorghe afiou a faca. Cinco meses depois do início da Grande Caminhada, e para surpresa de todos, só uma destas almas acreditava ainda em tão estúpido repto. Emiliana, claro: não só continuava com o cabelo brilhantemente armado como foi sempre, afinal, a vaca mimada de Mihaela.

Desencontro a três

Matthew esgotava-se em superlativos; Geoffrey derretia-se com superlatinos; Michael deliciava-se com superlatidos.

Haiku de merda

Levava uma Fuji, Mas do monte fugi, Sim, do Monte Fuji.