domingo, 27 de fevereiro de 2011

Lusofacebook

Uma Sagres, uma bica (Sical), meia dúzia de pastéis de nata e uma revista de domingo. De outra maneira: quem diria que um post inocente no Facebook ganharia tamanhas proporções? A foto, que acaba de aterrar em Tallinn, foi-me gentilmente enviada pelo Luís Santos, meu colega de Cenjor nos idos anos de 1995 e 1996. 

sábado, 26 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

“Darling, I still don’t know...”

By João Lopes Marques (Eesti keeles)


People need positive feedback. Yet there are professions where recognition plays a crucial role. It’s pivotal: fast retroaction can be the balm for one’s motivation. Brings relief and self-confidence. Makes us dare. Try harder. Go beyond borders.

Can you imagine a performer, a journalist or a chef without daily feedback? Especially the latter: to cook for somebody is something very specific. It’s a unique experience that never repeats again. Yes, it’s the magic of the moment…

“But do you think Estonians care?”, shares with me Peeter, who happens to be one of the greatest chefs I’ve ever met. “Not at all. I try always my best but customers just ask me how they can cook the same dish in their domestic oven. About the food I prepare, not a single word. Moreover, everytime I ask if they enjoyed the meal, the answer is ‘väga normaalne’… And that’s because I asked!”

Truth be told, if I were Peeter I’d be extremely sad and frustrated. I’ve had my own experience as a writer in Estonia and feedback mechanisms are a mystery here. Peeter assures me he got used to the fact, but I think he didn’t: “It’s not about Nordicness, João. I’ve worked in Sweden and Denmark and Scandinavians react in a complete different way…”

It’s true: this väga-normaalne-thing seems to be an Estonian exclusive. Idyossincrasy. How come Estonians don’t use superlatives? Something like “Wow!”, “Great!” or “Brilliant!”? Frankly, I hate them in the mouth of an American pensioneer, although when said in the right time for the right reason they do operate change.

Fair superlatives can be powerful.

Hopefully, Peeter is a patriot: “Don’t get me wrong, João: we are a great country full of great people. If an Estonian guy tells you something is väga normaalne, or just normaalne, it’s because things were really good. The real enigma is the delay… Sometimes it comes too late…”

Peeter is correct: I myself I’m finally getting used to the local absence of superlatives. Everything is about expectations and I don’t have them anymore. What puzzles me nowadays is also the Estonian delay.

Friends who read me secretely and decide to share it with me in a random encounter at the fruit section of Rimi. Why not in the birthday party the week before? By email? As if they were denying such a fact till the moment they couldn’t resist anymore. As if they had overcome the tension not to voice it out.

Today I know Estonians judge differently. Somehow it’s quite charming and I live with the ultimate species: every time I travel with Age, I ask her if she's enjoying the trip. If she is liking the region we are visiting. Usually, she prefers to delay the answer: “Kallis, I still don’t know…” We can even be in Djemaa el-Fna, one of the most exotic places in the world, or in the best Portuguese beach, but… In my Latin euphoria, I still try to convince her during the starry dinner, but…

I gave up. Our brains are too different. Antagonic? Not necessarily: I want to tell myself that thing is amazing and close the subject deeply believing in it; she wants to keep analyzing, as if she is in a quest for the ultimate truth. What makes me conclude the väga-normaalne-thing is perhaps a temporary way to compliment without closing the topic.

Without compromising.

Of course, I acknowledge Estonians prefer deeds to words, though most forget when the good words don’t come, people imagine the negative ones. Silence can scream quite loud. Hurt.

Our lives occur very much in the present tense and I’d love to see friends like Peeter to stay in Estonia. Sometimes money is a powerful stabilizer, an important carrot, but we also know it’s not Estonia’s forte. Indeed, the greatest Estonians I have met do things for the sake of excellence. In the quest of self-fulfilment. Just to share their passion.

Because they believe in the future of their nation.

Let’s face it: to compliment other’s achievement is a cheap-yet-honest token we all carry in our pockets. Who am I to change such a beautiful word as “normaalne”? Nobody, you are right. But why not to replace the adjective “väga”? For something like “super” or “hyper”. Or even “mega”, if deserved, of course.

Still impossible?

Are people afraid of cynicism? Mere jealousy? Or stubbornness?

Huh… Why not to repeat “väga” more often as so many people do with “tere”? I believe Peeter would appreciate a “väga-väga normaalne” from time to time. Maybe his dishes would become even tastier. Tastier and tastier. The best in the world. For a sensitive person aiming excellence, obsessed with quality, the frontier is rather clear: approval can’t be neutral. It has to show emotions.

Just them to change the world.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Cordofonia

Esta por acaso até acho que já vos tinha contado aqui: apesar dos seus quase dois metros, Ralph McNamara prefere continuar a tocar baixo. E sempre muito, muito baixinho.

Moskva

Dmitri estudou criminologia, Ruslan é kremlinologista. Agora dizem-se colegas.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Lúcia P.

O bairro anda em alvoroço. E tudo por causa de uma certa cachorra...

Consoante consonante

Há consenso no alfabeto: em matéria de generosidade, ninguém como a letra "dê".

O paraíso dos "spotters"

A arte de çedilhar o çê

Começe por eleger uma esferográfica com ponta fina, façilitará a tarefa seguinte: aponte o bico para o terço inferior da curva desferida pela letra e conçentre-se. Ensaie mentalmente o ligeiro desvio à esquerda, inverso à boca do çê. Caso sinta dificuldades, imagine uma vírgula a três quintos. Coloque finalmente a esferográfica no papel e, ao senti-lo bem amparado sobre uma superfíçie não rugosa, seja firme. O rabisco, ou perninha, não deverá ocupar-lhe mais de uma ou duas fracções de segundo, sob risco de grave abastardamento caligráfico. Se for esquerdino, vulgo "canhoto", preste atenção redobrada ao avanço pela frase.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Broca de neve

Pós-pós-modernidade

Tinha uma voz grave e uma conversa até bem modernaça. Mas com robots ainda não vou. Ainda.

Neptuno e a sardinha megalómana

Ninguém a dissuadindo do sonho em ser tubarão, dirigiu-se a sardinha a Salomão. O rei explicou-lhe que o estava a confundir com "salmão", as letras podem ser importantes, decisivas, e esta vogal era-o mesmo. Magnânimo e paciente, ainda lhe endossou o cartão de um homólogo, que a sardinha agradeceu com um triplo estrebuchar. Com o sangue a fervilhar na guelra, vislumbrando a possibilidade ser mesmo tubarão, cruzou três mares e dois oceanos até chegar à presença daquele que ainda hoje é o indiscutível monarca das águas. Neptuno. A audiência ainda lhe seria concedida, a custo e só quatro dias depois, mas o diálogo que se seguiu não é digno destas linhas. E pobre sardinha, que vive hoje em nenhures e com um bem afiado tridente espetado no cu(zinho).

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

E-merdas

Sempre que a discussão subia de tom, a conversa endurecia ou a ameaça espreitava, Kris limitava-se a clicar "home". Que mais se poderia esperar de um cyborg cobarde?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Intempérie

Foi o ano em que o tempo andava mesmo bera. Alterado: os segundos desafiavam as horas e as segundas pegavam-se com os minutos.

Lusco-fusco

Não era cedo nem era tarde: a noite já caía e o dia ainda tropeçava.

Balticismo

Surpreendentemente, Riga foi o espelho da sua existência: estava mesmo na altura de agiR.

Direcção geral

A cada passo em frente, a convicta Marianne dava dois para trás. Mais um à frente, mais dois atrás. Por vezes víamo-la até a viajar de costas na passadeira rolante do Pompidou. Mais importante, e estranho, continuava a avançar, a avançar sempre. Tudo depende da direcção.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sílabas trocadas

Não lhes restava outra opção. A bola de neve acabaria mesmo por perguntar à loba de vene: "E de que região vens mesmo tu, minha queridinha?" O silêncio ainda gritou. Pairou. Mas a resposta chegaria, e cristalina, por sinal: "Vebonela!"

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

KUMU

A great morning in Tallinn. Spent with Pedro Sampayo Ribeiro in my favourite room in town: the bust collection at the Estonian Art Museum (KUMU).

Haiku de merda

Levava uma Fuji, Mas do monte fugi, Sim, do Monte Fuji.