quarta-feira, 27 de março de 2013

Ainda a "Pax Germanica"

Não me canso de "postar" este lúcido texto do Viriato Soromenho Marques. Há três anos que tem sido o meu argumentário nas conversas, por vezes acesas, com os que me estão próximos. Ou não. Por vezes ocorre no café, no avião, no sofá de um amigo do amigo, na Internet. As analogias com o Holocausto são feias, doem, cheiram a carne assada, mas são pertinentes. A verdade é que eu e a minha família nuclear adoptámos um boicote à Alemanha, que mantemos. Começámos em 2011 e é a nossa forma de protesto pacífico contra esta "Pax Germanica". Como europeus, a minha mulher estónia e eu português, a filha uma coisa e outra, a minha, nossa, paciência vai-se esgotando. Não, não é preconceito anti-alemão. Nada disso. É apenas uma constatação do que o país mais central, mais populoso e mais industrializado da Europa quer impor aos demais. Um "diktat" tão cego quanto conveniente alicercado em conceitos e preconceitos morais que manipulam a realidade e minam toda e qualquer noção de eurodiversidade. Em Outubro estivemos algumas semanas na Turíngia e de lá saímos (fugimos) chocados: o alemão normal, banal, eleitor da CDU, leitor do "Bild" ou nem por isso, o mesmo que acha que pode finalmente mandar no Continente inteiro, nem sequer sabe o nome da rua ao lado. Por incrível que pareça, e generalizando, falta à maioria dos alemães esse dever cívico de se interessarem pelos demais. Pelo que está fora da sua zona de conforto. É uma questão de psique. Cultural. Todas as atrocidades cometidas, e vão-se acumulando na História, bebem deste desinteresse selectivo e tacticista. Como europeus, devemos aproveitar para reflectir sobre erros próprios (muitos), mas jamais tolerar e muito menos perdoar a estupidez alemã. No que me toca a mim, à Age e à pequenina Agnes, continuaremos a bater-nos e a gritar bem alto. Sim, esfregarei o Holocausto na cara dos alemães e germanófilos até que a voz me doa. Está longe de ser um exclusivo hebraico. Aqui não há tabus — desculpem-me, mas é que cheira mesmo a carne estufada. Para que conste: não faremos parte deste cozido. Cá em casa jamais aceitaremos a Pax Germanica que nos querem impor. Doa o que doer. Pronto. Ponto.

3 comentários:

Sonhadora incorrigível disse...

Os alemães ("generalizando") continuam com os tiques do passado. Se a História não lhes ensinou nada, talvez um "boicote" geral lhes pudesse transmitir uma mensagem mais clara. É que não se aguenta mais esta opressão germânica!

Filipa.

João Lopes Marques disse...

É que não se aguenta mesmo, Filipa.

Navegante disse...

Olá, Marques,
Percebe-se que está de saco cheio...
Aproveitando, coincidentemente há um tuga que escreve aqui na "Folha". É o João Pereira Coutinho. Ele escreve artigos brilhantes. Já hoje escreveu sobre o tema. Tomo a liberdade de deixar o link por aqui, a quem interessar possa: "A Europa germânica"
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/1262887-a-europa-germanica

Cumprimentos

Haiku de merda

Levava uma Fuji, Mas do monte fugi, Sim, do Monte Fuji.